[Poster] Quem é a Organização Criminosa?

Cartaz em A3 para impressão

Em solidariedade aos anarquistas perseguidos e criminalizados no Rio Grande do Sul pela Operação Érebo, lançamos nova arte, em versão A3 e web.

O cartaz faz uma comparação entre os ataques da polícia e os ataques que a polícia está atribuindo à suposta “organização anarquista”. Como sempre, leis só são cumpridas quando convém aos interesses do estado, do capital e dos poderosos.

Querem abafar nossos sonhos através do medo e repressão, mas a liberdade e a solidariedade vão estar vivas enquanto um único coração estiver batendo pela anarquia.

 

 

Da Democracia à Liberdade – diferença entre governo e autodeterminação

Clique na imagem para fazer o download do livro.

Democracia é o ideal político mais universal de nossos dias: George Bush o usou para justificar a invasão do Iraque; Obama parabenizou os rebeldes da Praça Tahrir por levarem-la ao Egito; o movimento Occupy Wall Street alegou tê-la destilado em sua forma mais pura. Da República Popular Democrática da Coreia do Norte até a região autônoma de Rojava, praticamente todo governo e movimento popular diz ser democrático.
E qual é a cura para os problemas da democracia? Todo mundo concorda: mais democracia. Desde a virada do século, nós vimos uma enxurrada de novos movimentos que prometem a democracia real, em contraste com instituições ostensivamente democráticas que eles descrevem como elitistas, coercitivas e alienadoras.
Existe um fio que une todos esses diferentes tipos de democracia? Qual delas é a real? Alguma delas pode nos dar a inclusão e a liberdade que nós associamos com essa palavra?

Continue reading “Da Democracia à Liberdade – diferença entre governo e autodeterminação”

Voto vs. Ação Direta

Clique na imagem para baixar este texto em formato zine (PDF) ou aqui para baixá-lo em formato para impressão.

As pessoas se preocupam com as eleições em níveis nada saudáveis. Isso não quer dizer que todo mundo vota, ou acha que votar muda algo e vale a pena; pelo contrário, um número cada vez maior de pessoas faz questão de votar branco ou nulo. Mas quando você conversa sobre política, de opinar sobre a atual situação do país, o voto é a única estratégia em que as pessoas conseguem pensar — votar e influenciar o voto das outras pessoas.

Será que é por isso que tantas pessoas se sentem desempoderadas? Digitar um par de números anonimamente uma vez por ano, ou a cada quatro anos, basta para nos sentirmos incluídos no processo político ou para ter influência sobre ele? Mas o que há além do voto?

Na verdade, votar para que outras pessoas representem os seus interesses é a forma menos eficiente que há para exercer poder político. A alternativa, de forma geral, é agir diretamente para que você represente os seus próprios interesses.

Continue reading “Voto vs. Ação Direta”

Cultura de Segurança

Instruções

Uma cultura de segurança é um conjunto de hábitos compartilhados por uma comunidade cujos membros possam realizar atividades ilegais, cuja prática minimiza os riscos de tais atividades. Ter uma cultura de segurança poupa a todos o trabalho de ter que decidir medidas de segurança inúmeras vezes, desde o princípio, e pode ajudar a diminuir a paranoia e o pânico em situações de estresse — diabos, ela pode salvar você da prisão também. A diferença entre protocolo e cultura é que a cultura se torna inconsciente, instintiva e portanto espontânea; depois que o comportamento mais seguro possível se tornou um hábito a todos no círculos pelos quais você circula, você pode gastar menos tempo e energia enfatizando a necessidade dele, ou sofrendo as consequências de não o ter, ou se preocupando sobre os riscos que você está correndo, já que você já sabe que já está fazendo tudo o que pode para ser cuidadoso. Se você tem o hábito de não dar nenhuma informação importante sobre si, você pode trabalhar com estranhos sem ficar se agonizando se eles são informantes ou não; se todos sabem o que não se pode falar no telefone, os seus inimigos podem grampear todas as linhas que quiserem que não irão conseguir nada¹.

Continue reading “Cultura de Segurança”

Anarquia & Álcool

Este texto também está disponível em formato PDF para leitura em telas ou para impressão.

Verdadeiramente perdido

Êxtase v Intoxicação: Por um mundo de encantamento ou anarcoolismo?

Clique na imagem para baixar este texto em formato zine (PDF) ou aqui para baixá-lo em formato para impressão.

Borracho, ébrio, bêbado, embriagado, alegre, manguaçado, de porre, pinguço, de pileque, trêbado, mamado. Todo mundo já ouviu sobre as pessoas do Ártico com cem palavras para neve; nós possuímos cem palavras para bêbado. Nós perpetuamos nossa própria cultura de derrota.

Pare aí mesmo – eu posso ver o sorriso desdenhoso em sua face: Esses anarquistas são tão chatos que reclamariam até do único aspecto divertido do anarquismo – a cerveja após as badernas, a bebida alcoólica no bar onde todas aquelas teorias impossíveis são anunciadas? O que eles fazem para se divertir, então – divulgam calúnias sobre a pouca diversão que nós temos? Nós não podemos relaxar e ter um bom momento em nenhuma parte de nossas vidas?

Não nos entendam mal: não estamos argumentando contra a satisfação, mas a favor disto. Ambrose Bierce definiu um asceta como “uma pessoa fraca que sucumbe à tentação de negar prazer a si mesmo” e nós concordamos. Assim como Chuck Baudelaire escreveu, você deve sempre estar curtindo – tudo depende disso. Portanto, não somos contra a embriaguez, mas, de fato, contra beber! Aqueles que abraçam a bebida como caminho para a embriaguez enganam a si mesmos para uma vida de total encantamento.

Continue reading “Anarquia & Álcool”

PRISM: A Internet Como Uma Nova Cerca

Clique aqui para baixar esse texto em PDF para leitura na tela ou para impressão.

Talvez você tenha lido sobre o programa Prism, através do qual a Agência de Segurança Nacional dos E.U.A. (NSA) tem coletados dados da Microsoft, Google, Facebook, Apple e outras grandes corporações da Internet.

Lembre-se que esta é apenas a ponta do iceberg. Nós não temos como saber quantos projetos similares estão enterrados mais profundamente no aparato do estado de vigilância (e em cada país), que não foram revelados por ousados delatores. Nós sabemos que todo dia a NSA intercepta bilhões de e-mails, ligações telefônicas e outras formas de comunicação. E o que eles podem monitorar, eles podem censurar, ao estilo China ou Mubarak.


Muitas pessoas têm promovido a internet como uma oportunidade para criar novos bens comuns, recursos que podem ser compartilhados ao invés de posse privada. Mas face ao poder cada vez maior do Estado e das corporações sobre as estruturas através das quais nós interagimos online, temos que considerar a possibilidade distópica de que a internet representa uma nova cerca ao bens comuns: a canalização da comunicação em formatos que podem ser mapeados, patrulhados e controlados.

Um dos eventos que serviu de base para a transição ao capitalismo foi o primeiro cercamento dos bens comuns, quando a terra que antes era usada livremente por todas as pessoas foi tomada e transformada em propriedade privada. Este processo se repetiu diversas vezes ao longo do desenvolvimento do capitalismo.

Parece que nós não conseguimos reconhecer os “bens comuns” a menos que estejam ameaçados com o cercamento. Ninguém pensa na canção “Parabéns Pra Você” como um bem comum, pois a Time Warner (que alega possuir os direitos autorais) não teve sucesso em lucrar com toda a cantoria em festinhas de aniversário. Originalmente, camponeses e povos indígenas também não viam a terra como propriedade em comum — pelo contrário, eles consideravam absurda a ideia de que a terra poderia ser propriedade de alguém.

Seria igualmente difícil, há apenas algumas gerações atrás, imaginar que um dia se tornaria possível exibir anúncios publicitários para as pessoas sempre que elas conversassem juntas, ou mapear os seus gostos e relações sociais num piscar de olhos, ou acompanhar as suas linhas de raciocínio em tempos real ao monitorar as suas buscas no Google.

Nós sempre tivemos redes sociais, mas ninguém podia usá-las para vender anúncios — nem elas eram tão facilmente mapeadas. Agora, elas ressurgem como algo que nos é oferecido por corporações, algo externo a nós e que precisamos consultar. Aspectos de nossas vidas que antes nunca poderiam ter sido privatizados agora estão praticamente inacessíveis sem os últimos produtos da Apple. A computação em nuvem e a vigilância governamental onipresente somente enfatizam a nossa dependência e vulnerabilidade.

Ao invés de ser a vanguarda do inevitável progresso da liberdade, a internet é o mais novo campo de batalha de uma disputa secular com aqueles que querem privatizar e dominar não apenas a terra, mas também todos os aspectos do nosso ser. O fardo da prova de que a internet ainda oferece uma fronteira para avançar a liberdade está sobre aquelas pessoas que têm a esperança de defendê-la. Ao longo desta luta, pode se tornar claro que a liberdade digital, como todas as formas importantes de liberdade, não é compatível com o capitalismo e o Estado.

Você Está Sob Vigilância

O espaço público é cada vez mais policiado por sistemas de vigilância ocultos. A vida privada do indivíduo é secretamente capturada, mapeada, coletada, e apossada em efígie por grandes operações de empresas privadas – a segurança industrial.

Faça download do texto em formato PDF para leitura em tela ou para impressão.

Ironicamente, enquanto as comunidades se desintegram e cada vez mais de nós nos descobrimos perdidos em uma massa anônima de consumidores, os únicos com quem podemos contar para interessar por nossas vidas são os agentes da lei que governam espaços projetados para o consumo. Libertar espaços da vigilância reforçaria nossa liberdade de agir de forma privada, por nós mesmos e uns pelos outros ao invés de para câmeras, e então permitir-nos sairmos juntos de nossa anonimidade. Nós tivemos nossos quinze minutos de fama – agora aponte essa coisa para outro lugar!

Medidas de segurança tão opressivas só são necessárias quando a riqueza e o poder são distribuídos tão injustamente que os seres humanos não podem coexistir em paz. Aqueles que supervisionam esses sistemas de segurança se enganam quando alegam que a ordem deve ser estabelecida para limpar o caminho para a liberdade e a igualdade. Na verdade é o contrário: ordem só é possível como uma consequência de pessoas vivendo juntas com liberdade, igualdade, e justiça para todas. Qualquer outra coisa é simplesmente repressão. Se câmeras são necessárias em cada esquina, então algo está fundamentalmente errado em nossa sociedade, e se livrar das câmeras é um começo tão bom como qualquer outro.

Continue reading “Você Está Sob Vigilância”

7 Mitos Sobre a Polícia

Clique na imagem para baixar texto em PDF.

Faça o download do livreto em PDF para leitura em tela ou para impressão.

A polícia exerce uma autoridade legítima. O policial comum não é um especialista em leis; ele provavelmente conhece o seu protocolo da sua instituição, mas muito pouco sobre as leis reais. Isso significa que sua aplicação das leis envolve uma grande quantidade de blefe, improvisação, e desonestidade. A polícia mente regularmente “Recebi uma denúncia de alguém com a sua descrição cometendo um crime por aqui. Quer me mostrar alguma identificação?”

Isso não quer dizer que devemos aceitar as leis como legítimas sem refletir. Todo o sistema judicial protege os privilégios dos ricos e poderosos. Obedecer as leis não é necessariamente moralmente correto – pode até ser imoral. A escravidão era legal, ajudar escravos fugitivos era ilegal. Os nazistas chegaram ao poder na Alemanha através de eleições democráticas e aprovaram leis através dos canais formais. Devemos buscar força da consciência para fazer o que sabemos que é o melhor, independentemente das leis e da intimidação da polícia. Continue reading “7 Mitos Sobre a Polícia”

Da Democracia à Liberdade

Para baixar o livro, clique na imagem.

Esta conversa sobre democracia real soará familiar a qualquer pessoar que vivenciou as Jornadas de Junho de 2013 ou equivalentes em outros países, da Tunísia, a Madrid, a Nova Iorque, os movimentos desencadeados pela crise econômica se tornaram experimentos sobre novas formas de governança. Mas em 2014 o verniz da democracia real começou a se desgastar: a revolução da Ucrânia e o movimento contra a corrupção no Brasil confirmaram a reapropriação do discurso pela direita, enquanto os movimentos que se espalharam a partir de Ferguson começaram com revoltas, não com uma assembleia. Mas da próxima vez que a revolução estiver em pauta, certamente ouviremos mais apelos por democracia “real”. Enquanto democracia for o único paradigma que tivermos para trazer mudanças, até mesmo anarquistas irão demandá-la.

Refletindo sobre as revoltas da década que nos precede, nós decidimos que já era hora de ir a fundo sobre o que a democracia realmente é—e se é o que queremos, no fim das contas. Depois de anos de pesquisa, discussões e experimentações, estamos empolgados em apresentar as nossas conclusões em uma nova publicação: Da Democracia à Liberdade (baixe aqui o arquivo).Neste texto, examinamos o fio da meada que conecta as diferentes formas de democracia, traçamos o desenvolvimento da democracia desde sua origens clássicas até as suas variantes contemporâneas representativas, diretas e baseadas em consenso, e avaliamos como o discurso e os procedimentos democráticos servem aos movimentos sociais que os adotam. No caminho, nos damos uma ideia do que poderia significar buscar a liberdade diretamente ao invés de através de governos democráticos.